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Crise tarifária entre Brasil e EUA gera tensão diplomática e impacto econômico

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    Identidade em Foco
  • 27 de nov. de 2025
  • 5 min de leitura

Lula afirma que Brasil “não aceitará tutelas” e cobra diálogo em igualdade com Trump, que diz estar aberto a negociações. 

Por Maria Eduarda Risatelo, Mathias de Queiroz e Victor Hugo, Identidade em Foco — Pouso Alegre.

Por Maria Eduarda Risatelo, Mathias de Queiroz e Victor Hugo, Identidade em Foco — Pouso Alegre 


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A crise tarifária entre o Brasil e os Estados Unidos, intensificada desde agosto de 2025, provocou tensão diplomática e preocupação econômica entre os dois países. O governo americano declarou aumentos de até 50% nas tarifas de importação sobre produtos brasileiros, justificando a medida como defesa de sua segurança nacional e equilíbrio comercial. O Brasil reagiu com surpresa, avaliando a possibilidade de recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) e aplicar a Lei de Reciprocidade, enquanto ambos os presidentes, Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, buscam restabelecer o diálogo após semanas de impasse. 

Desde o mês de agosto de 2025, os Estados Unidos estabeleceram aumentos significativos de tarifas de importação sobre produtos brasileiros com percentuais que chegaram a 50% para uma parcela expressiva dos bens exportados. Essa medida foi justificada pela administração americana como resposta a práticas brasileiras que, segundo os EUA, ameaçam sua segurança nacional, política econômica ou envolvem tratamento considerado injusto a empresas ou autoridades americanas. Outra prática sucedeu a partir da reação do Brasil anunciando que poderia usar a Lei de Reciprocidade comercial e buscar consultas na Organização Mundial do Comércio (OMC) como forma de resposta. 

Para o Brasil, o impacto decorrente foi de forte apreensão: cerca de 35,9% das exportações brasileiras para os EUA, por valor, foram estimadas como sendo atingidas diretamente pela taxa. O governo brasileiro manifestou surpresa com a comunicação da tarifa, argumentando que as negociações estavam em curso e havia envio de proposta formal ao governo americano, mas que não houve resposta satisfatória antes da implementação da medida. 

Do lado dos Estados Unidos, o argumento central é que o Brasil teve determinadas práticas (segundo Washington) que criariam desequilíbrios comerciais ou colocariam em risco interesses econômicos americanos. Embora os EUA possuam um superávit comercial (valor das exportações supera o das importações) com o Brasil nos últimos anos, segundo dados trazidos pelo governo brasileiro, a justificativa jurídica usada foi uma “emergência nacional” declarada pela Casa Branca. 

Quanto aos efeitos sociais, no Brasil os setores econômicos mais afetados são os exportadores de commodities ou produtos industriais que dependem fortemente do mercado americano. Isso significa menor

demanda externa, perda de competitividade internacional, incerteza e instabilidade para investidores. Além do mais, as tarifas prejudicam a população brasileira por conta do risco no aumento da taxa de desemprego e da queda de renda, do mercado interno desbalanceado, de menos impostos arrecadados para o governo e o risco de retaliação.  

Nos EUA, embora parte do setor exportador brasileiro sofra, há impacto em consumidores americanos que dependem de importados brasileiros ou cadeias produtivas que utilizam insumos do Brasil, o risco é de aumento de preços e aumento de custo para algumas empresas americanas. 

Após a taxação, houve uma demora para os presidentes Donald Trump e Luiz Inácio entrarem em contato, com o motivo de o Brasil considerar a tarifa elevada, uma surpresa a maneira como a medida foi anunciada e algumas reuniões agendadas entre os países que foram canceladas ou adiadas, o que atrasou o processo de negociação. 

Nesse processo, Trump disse em 2 de agosto de 2025 se referindo ao Lula “Ele pode falar comigo quando quiser” (tradução livre). Já o presidente do Brasil se posicionou em um momento dizendo “No dia em que minha intuição disser que Trump está pronto para conversar, não hesitarei em ligar para ele… Mas hoje minha intuição diz que ele não quer conversar. E eu não vou me humilhar” (tradução livre). 

No dia 26 de outubro de 2025, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump se reuniram na cúpula da Association of Southeast Asian Nations (ASEAN), em Kuala Lumpur, onde conversaram sobre a situação tarifária. Segundo relatos, o encontro foi considerado “positivo” por ambas partes, e abriu caminho para negociações bilaterais visando reverter ou ajustar essas tarifas. O governo brasileiro também afirmou que seguiria em diálogo, mas que não aceitava imposições, insistindo na negociação como via preferencial.

Trump e Lula conversando à margem da cúpula para tratar das tarifas entre EUA e Brasil — Foto: Al Jazeera 

Em suma, o episódio das tarifas elevadas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil marca não apenas uma cisão comercial, mas também um teste concreto da diplomacia econômica em tempos de interdependência global. Enquanto Washington invocou um estado de “emergência nacional” para justificar o aumento de até 50% nas tarifas sobre produtos brasileiros, alegando riscos à sua segurança, política e economia, o Brasil reagiu com a recusa em aceitar imposições e o apelo ao diálogo, procurando recorrer à Organização Mundial do Comércio e à própria Lei de Reciprocidade Comercial. 

Para o Brasil, esse choque de interesses elevou a incerteza para exportadores que dependem do mercado americano, reforçou a urgência de diversificar parceiros comerciais e desencadeou uma resposta governamental estruturada com o plano “Brasil Soberano”, anunciado para oferecer crédito e suporte aos setores atingidos. No âmbito bilateral, o encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump em Kuala Lumpur representa um passo concreto para restabelecer o canal de negociação direta, mas não encerra a tensão, uma vez que qualquer

solução deverá respeitar a soberania brasileira e o princípio da negociação como via preferencial. 

Em última análise, essa disputa serve como alerta para ambos os lados. Para o Brasil, reforça a necessidade de estruturar uma estratégia externa mais resiliente e adaptável. Para os Estados Unidos, evidencia que barreiras abruptas ao comércio podem gerar impactos internos inesperados, como o aumento de custos para consumidores e empresas que dependem de cadeias importadas. O caminho adiante dependerá da disposição de diálogo real, da construção de confiança mútua e da capacidade de usar a diplomacia comercial como instrumento eficaz de solução de conflitos. Se bem conduzido, o incidente poderá inaugurar uma nova fase de cooperação; se mal gerido, arrisca arrastar ambos os países para uma escalada que nenhum deles deseja. 


REFERÊNCIAS: 

EL PAÍS Internacional. “Lula da Silva on Trump’s tariffs against Brazil: ‘My intuition says he doesn’t want to talk — and I won’t humiliate myself’”. El País (English edition), 7 ago. 2025. Disponível em: 

https://english.elpais.com/international/2025-08-07/lula-da-silva-on-trumps-tariffs-against-brazil my-intuition-says-he-doesnt-want-to-talk-and-i-wont-humiliate-myself.html. Acesso em: 10 de nov. 2025. 


SOFUOGLU, Murat. “Lula can talk to me anytime he wants — Trump”. TRT World, 2 ago. 2025. Disponível em: https://www.trtworld.com/article/c14a99dd14a5. Acesso em: 10 de nov. 2025. 

BRASIL. Presidência da República. “President Lula: Brazil supports dialogue and negotiation, but will not accept impositions”. GOV.BR / Palácio do Planalto, 17 jul. 2025. Disponível em: https://www.gov.br/planalto/en/latest-news/2025/07/president-lula-brazil-supports-dialogue-and-n egotiation-but-will-not-accept-impositions. Acesso em: 10 de nov. 2025. 


QUILLEN, Stephen; News Agencies. “Trump meets Brazil’s Lula at ASEAN summit, touts ‘pretty good deals’”. Al Jazeera English, 26 out. 2025. Disponível em: 


GHY Commodities. “US imposes 40 percent tariff on Brazilian imports”. GHY Trade Compliance, [s. l.], [s. d.]. Disponível em: 


AGÊNCIA BRASIL. “EUA aceitam consulta do Brasil na OMC, mas alegam segurança nacional”. EBC Agência Brasil, 19 ago. 2025. Disponível em: 

https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2025-08/eua-aceitam-consulta-do-brasil-na-o mc-mas-alegam-seguranca-nacional. Acesso em: 10 nov. 2025. 


BRASIL. Presidência da República. “Governo lança Plano Brasil Soberano para proteger exportadores e trabalhadores de sobretaxas dos EUA”. GOV.BR/Palácio do Planalto, 14 ago. 2025. Disponível em: 

https://www.gov.br/planalto/pt-br/acompanhe-o-planalto/noticias/2025/08/governo-lanca-plano-br asil-soberano-para-proteger-exportadores-e-trabalhadores-de-sobretaxas-dos-eua. Acesso em: 10 nov. 2025.


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